A Câmara Municipal de Natal realizou sessão solene, nessa quarta-feira (06), para a entrega da Comenda Helena Fernandes 2026, em homenagem a mães atípicas e mulheres que atuam na defesa da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência e neurodivergentes. A solenidade foi proposta pela vereadora Thabatta Pimenta, também propositora da criação da honraria no âmbito do Legislativo municipal, em 2025.
Foram homenageadas 18 mulheres, sendo 16 mães atípicas, algumas delas mães solo, que vivenciam diariamente os desafios do cuidado, da inclusão e da busca por direitos para os filhos. Outras duas homenageadas são profissionais que atuam diretamente no desenvolvimento de crianças atípicas e na melhoria da qualidade de vida das mães e famílias assistidas.
A vereadora Thabatta Pimenta destacou a importância de ampliar o debate sobre maternidade atípica e inclusão. “Pelo segundo ano, trazemos essa discussão necessária, não apenas sobre as pessoas com deficiência, mas também sobre as mães atípicas, que se dedicam integralmente aos filhos e à vivência atípica como um todo”, afirmou. Segundo ela, a escolha do nome da comenda representa o reconhecimento de uma trajetória de luta. “Homenagear Helena Fernandes é reconhecer uma mãe atípica que lutou muito para que hoje existam políticas públicas afirmativas voltadas às pessoas com deficiência e às famílias atípicas”, disse.
A parlamentar também ressaltou os desafios enfrentados por essas mulheres, especialmente no interior do estado. “Muitas mães deixam trabalho, rotina e projetos pessoais para viver integralmente a vida dos filhos. Essas mães pedem socorro. Precisam de voz, acolhimento e apoio efetivo do poder público”, destacou.
A senadora Zenaide Maia, uma das homenageadas da noite, por também ser mãeatípica, ressaltou a importância da visibilidade dada à causa. “Grande parte das mães atípicas também são mães solo, responsáveis sozinhas pelo cuidado dos filhos com deficiência ou transtornos. Infelizmente, essa é uma realidade muito presente”, afirmou. Ela também destacou os desafios enfrentados pelas famílias no momento do diagnóstico. “Muitas vezes, os pais têm dificuldade de aceitar o diagnóstico, principalmente no caso do autismo. Por isso, informação e acolhimento são fundamentais”, disse. Zenaide acrescentou ainda que a Comenda Helena Fernandes reforça a responsabilidade do poder público. “Essa homenagem também chama atenção para o dever dos poderes municipal, estadual e federal de garantir políticas públicas, inclusão e apoio às famílias atípicas”, afirmou.
Filha de Helena Fernandes, que dá nome à honraria, a psicóloga Priscila Fernandes falou sobre a trajetória da mãe e a dedicação às famílias atípicas. Ela lembrou que muitas mulheres acabam deixando a própria saúde em segundo plano para cuidar dos filhos. “Foi o que aconteceu com minha mãe. Ela descobriu um câncer já em estágio avançado, porque estava totalmente voltada ao cuidado e à luta pela inclusão”, relatou.
Priscila destacou ainda que sua trajetória profissional foi diretamente influenciada pela vivência familiar. “A profissão que exerço hoje nasceu muito da luta da minha mãe e da realidade que vivemos dentro de casa”, afirmou. “Receber uma comenda que leva o nome dela é uma honra muito grande e representa o reconhecimento do trabalho que realizamos diariamente para melhorar a vida de mães e crianças atípicas”, completou.
Outra das homenageadas, Sarah Costa, destacou os desafios da maternidade atípica e a importância do diagnóstico no processo de compreensão e acolhimento. Mãe de Leonardo, de 23 anos, ela relatou que o filho recebeu o diagnóstico de autismo apenas na adolescência. “Existia pouca informação sobre o autismo. O diagnóstico veio para esclarecer muitas coisas e facilitar o cuidado e a convivência”, afirmou. Segundo ela, o avanço da informação ampliou a compreensão sobre o transtorno do espectro autista. “Hoje existe mais esclarecimento e mais atenção. Antes, muitas crianças eram incompreendidas e rotuladas de forma equivocada”, disse. Sara Costa também reforçou os desafios de conciliar a vida profissional com as demandas da maternidade atípica e chamou atenção para a necessidade de inclusão de adultos autistas no mercado de trabalho.
A secretária municipal de Direitos Humanos, Luciana Dantas, representou a Prefeitura Municipal na mesa que conduziu a solenidade. Indicaram homenageadas e participaram da sessão solene os vereadores Daniel Rendall (Republicanos), Daniel Santiago (PP), Eribaldo Medeiros (Rede), Eriko Jácome (PSDB), João Batista Torres (DC), Léo Souza (PSDB), Luciano Nascimento (PSD), Nina Souza (PL) e Samanda Alves (PT).
Texto: Ilana Albuquerque
Fotos: Verônica Macedo